Pesquisador Responsável: Nayla Rodrigues Pereira (E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

Orientadora: Profª. Drª. Ana Lucia de Moraes Horta

Programa de Pós Graduação em Enfermagem – Escola Paulita de Enfermagem, Universidade Federal de São Paulo (EPE/Unifesp)

Financiamento: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)

Resumo

Introdução: No Brasil, a atenção voltada às demandas de afirmação de gênero das pessoas Travestis e Trans pauta-se em uma determinação do Ministério da Saúde com a prerrogativa de atenção integral à saúde dessa população. A equipe multidisciplinar é coparticipante na caminhada da transição vivenciada pela pessoa e apoia o acesso ao Processo Transexualizador no Sistema Único de Saúde. Profissionais de Enfermagem compõem essa equipe de saúde que atende essa população. O objetivo principal do presente estudo é identificar as necessidades de saúde, a partir da perspectiva teórica de Cecílio e Matsumoto, de pessoas que vivenciam o processo de afirmação de gênero. Método: Trata-se de um estudo qualitativo. Para a seleção de participantes da pesquisa foi realizada uma fase exploratória utilizando a ficha de admissão para o acompanhamento de um ambulatório de afirmação de gênero. Após, realizou a seleção de participantes com proposito e ênfase na variação utilizando-se o critério da pessoa em acompanhamento ter iniciado sua terapia hormonal em um serviço de saúde ou de forma autodirigida. Pretendeu-se dessa forma obter as experiências relacionadas às necessidades de saúde das pessoas vivenciando processos de afirmação de gênero. Critérios de inclusão: estar em acompanhamento no Núcleo Trans UNIFESP há pelo menos 3 meses, ser maior de 18 anos, se comprometer com a participação da pesquisa. Para a coleta de dados foi utilizada a entrevista semiestruturada. As entrevistas foram transcritas e operacionalizadas com o software MAXQDA. Utilizou-se a análise temática para sistematizar o material empírico. Resultados: Houveram participantes que haviam iniciado sua terapia hormonal em um serviço formal de saúde e outros que haviam iniciado de forma autodirigida. Durante o processo de análise as categorias construídas foram: Necessidades de Saúde de pessoas trans, travesti e não-binária (que incluí os temas necessidade de boas condições de vida, necessidade de acesso às tecnologias de saúde e PAG, necessidade de formação de vínculo com as/os profissionais de saúde e necessidade de autocuidado e autonomia corporal para a pessoa trans) e a categoria Conceito de saúde. Discussão: As necessidades de saúde são diversificadas e abordaram várias esferas da vida social. As necessidade de boas condições de vida destacaram-se pela vulnerabilidade da população. De modo geral as necessidades não vem sendo atendidas pelos serviços de saúde e os resultados tem confirmado evidências encontradas em estudos anteriores como: barreiras no acesso à saúde, despreparo de profissionais para o atendimento de uma pessoa trans, e dificuldades no reconhecimento legal do nome. Ainda existe pouca documentação das práticas realizadas pela enfermagem durante o processo de afirmação de gênero. Conclusão: O referencial utilizado possibilitou verificar desafios e possibilidades para a satisfação das necessidades e para a prática da enfermagem no cuidado à pessoa trans.

Palavras-chave: Pessoas Transgênero; Travesti; Necessidades e demandas de Serviços de Saúde; Determinação de Necessidades de Cuidados de Saúde; Cuidados de Enfermagem.